Essa semana vamos
contar sobre um cruzeiro fluvial na Holanda e na Bélgica. Os lugares visitados
foram interessantes e a maioria deles históricos, mas o destaque ficou com a
exposição de Tulipas no Keukenhof Park. O parque e a exposição foram um
espetáculo a parte! maravilhoso! Durante longos meses os horticultores
dedicam-se ao cultivo dos canteiros para a exposição, que começa no final de
abril com uma infinidade de cores e tipos de flores. O parque só fica aberto
para a exposição durante oito semanas!
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| Keukenhof – Tulipas na Holanda |
Além do parque, os dias
se alternaram entre capitais como Amsterdam e Bruxelas; cidades medievais
como Bruges e vilarejos como a simpática Volendam em dia de regata,
Edam com seus queijos, visitas a museus, restaurantes e lojas.
A idéia surgiu o ano passado, logo depois que esse grupo
de amigas voltou de um tour fluvial pela Provence (post
Viagem Provence-Bourgogne, 13 julho 2011)
que foi muito melhor do que o imaginado. E vamos convir, uma vez na
Provence, o difícil é querer ir embora. Como diz Yeda, pode-se ir à
Provence várias vezes, porque há sempre o que ver e fazer.
| Nós em Keukenhof |
Esse ano o ponto de
encontro do grupo foi em Amsterdam, onde passamos dois dias, andando
pelos canais ou a pé para visitarmos museus, como o Rijksmuseum, o Museu
Van Gogh, com a maior coleção do famoso pintor holandês, o novo
Hermitage Amsterdam e o Rembrandt, onde o artista viveu entre 1639
e 1659. Igualmente histórica e muito disputada pelos turistas, a Casa de Anne
Frank é hoje o ponto turístico mais visitado da cidade. Trata-se do
esconderijo onde a menina judia se refugiou com a família durante a Segunda
Grande Guerra e escreveu o famoso diário (o diário esteve em São Paulo numa
exposição que terminou em dois de maio último).
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| Casa de Anne Frank |
Para os alternativos,
visitas aos museus Erótico, da Marijuana, do Sexo e da Tortura. A noite em
Amsterdam andar pelo famoso Red Light District, bairro da Luz
Vermelha, na parte antiga da cidade, tornou-se programa turístico obrigatório. É
onde as garotas de programa legalizadas dançam em janelões de
vidro.
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| Red Light District |
A cozinha em
Amsterdam é internacional, mas a asiática faz sucesso, assim como a
vegetariana. Um cardápio popular típico: panquecas, paixão nacional, o Patat
(batatas fritas com maionese e cebola), os croquetes e pastéis de carne e as
cervejas. É comum no fim do dia pessoas andando na rua com um saquinho de papel
em forma de cone na mão, cheio de patat com queijo, cebola ou
maionese.
A escolha para nosso jantar foi perfeita: o restaurante
La Rive, no elegante e clássico hotel InterContinental Amstel. Na
sala maior e no terraço pode-se jantar com vista para o rio Amstel.
Jantar na cozinha do restaurante pode ser uma experiência única, assistindo de
perto o Chef Roger Rassin e sua equipe na criação dos pratos. Reconhecido
como um dos melhores da cidade, o restaurante é famoso pela cozinha
premiada com uma estrela Michelin. Jantamos na adega, ambiente elegante, onde uma grande mesa de carvalho acomoda de 8 a 16 pessoas.
Começamos com um champagne,
simpática oferta de uma das amigas que fazia anos naquele dia. Deliciosos amuses bouches, de estética
irretocável, eram servidos entre os pratos principais. A cozinha segue a linha
francesa mediterrânea com pinceladas de ingredientes asiáticos. Assim
comemoramos divinamente dois momentos especiais: esse aniversário e nosso
encontro para a viagem.
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| Amstel Hotel |
Primeiro dia do cruzeiro - Fizemos o check-in de manhã. Que delícia sentar
em frente a uma lareira, beliscando deliciosos comes e bebes, enquanto
continuávamos a conversa e nos aquecíamos. A tarde, entre uma chuva e outra,
mais caminhadas por Amsterdam. Na primeira noite a bordo do navio foram
feitas as apresentações durante o wellcome drink do Capitão seguidas de
um delicioso jantar.
Amaverde era o
nome do navio, da Amawaterways, companhia americana, muito semelhante à
Uniworld, companhia com a qual fizemos a Provence o ano passado.
Há tours diários guiados de meio dia incluídos no programa e um opcional não
incluído para o outro período do dia. Éramos 150 passageiros, a maioria
americanos, e também australianos e alemães. Esses cruzeiros fluviais em geral
incluem um pacote de serviços. Há passeios de bicicleta, a pé, trem ou ônibus,
quando a atração turística não é walking distance. O serviço de
wi-fi é cortesia e as cabines tem tv e
internet.
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| Navio Amaverde |
Quanto às refeições, um
dia típico começa com um snack ao amanhecer para os early birds,
seguido de um incrível café da manhã com direito a champagne e
salmon. No almoço, opção de sandwichs ou buffet. Tea
time para quem fica a bordo. E claro, jantar full course acompanhado
de vinho. Finalmente um late night snack no salão principal. É melhor
passear e caminhar o dia todo para não se preocupar com a
balança!
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| Navio Amaverde |
Segundo dia -
logo depois do café da manhã, escolha de passeio: canais de Amsterdam ou
uma experiência culinária. Preferimos voltar a Amsterdam para mais um
passeio de barco pelos canais. É fantástico olhar para a arquitetura secular
daqueles prédios e pensar que todos, sem exceção, foram construídos sobre
pilares de madeira! isso mesmo, e estão inteiros até hoje, salvo um ou outro
caso, onde estão tão fora de prumo que custa acreditar não vão cair
imediatamente. As construções mais antigas tem frente bem pequena para não
encarecer o pagamento de impostos, antigamente calculado de acordo com a
metragem da fachada do imóvel. Por outro lado, os edifícios eram cada vez mais
altos para compensar a pouca frente. Típico também é a roldana com cabo
colocados no alto das construções antigas para subir os móveis, uma vez que com
tão pouca frente numa casa é impossível fazer mudanças em escadas estreitas e
íngremes.
| Fachadas Amsterdam fora de prumo |
Durante o almoço o
navio deixou o porto de Amsterdam cruzando o lago Markermeer e o
Ijsselmeer, antes chamado Mar do Sul, rumo a Hoorn. Do porto de
Hoorn saímos para as charmosas Volendam e Edam, pequenas o
bastante para se conhecer a pé em uma tarde.
Volendam,
pequena cidade do município de Edam-Volendam, fica na província da
Holanda do Norte, nos Países Baixos, aqui erroneamente chamados de Holanda.
Típica vila de pescadores com casas tradicionais, trajes típicos e folclore,
Volendam continua a atrair milhares de turistas desde 1875 e com certeza
vale uma visita. Tudo ali gira em torno do mar, da pesca e dos barcos. Fomos num
sábado logo depois de uma regata. A cidade estava lotada, a maioria das pessoas
conversando nos bares e veleiros a beira mar, comendo, bebendo e aproveitando a
tarde de razoável sol para essa época do ano. O Doolhof ou labirinto é
uma descrição perfeita para o emaranhado traçado das ruas! Preferimos seguir o
guia.
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| *Porto de Volendam |
Edam é um
verdadeiro museu a céu aberto. O centro com as antigas muralhas e a Fortaleza
Edam (Patrimônio Mundial da UNESCO) ajudaram a tornar a área protegida e
conservada pelo governo holandês. A arquitetura da idade média, o clima rural e
os monumentos fazem a caminhada pelo centro histórico uma experiência deliciosa.
Edam é sinônimo de queijo, queijo esférico do mesmo nome, que tornou a
cidade famosa e o queijo exportado para o resto do mundo. Tem restaurantes,
bares, lojas de souvenirs, de arte e de antiguidades, galerias e locais
para degustação de queijos, tudo projetado para não descaracterizar o patrimônio
histórico e a arquitetura de época. Um passeio pelas ruas antigas, praças,
canais, pontes e casas com fachadas impecavelmente preservadas, nos faz pensar
como seria a vida numa cidade holandesa alguns séculos atrás.
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| Edam – vitrine de queijos |
Depois de tantas
atividades durante o dia, a maioria achou melhor mais descanso e menos conversa
depois do jantar. O navio deixou Hoorn a noite rumo a Arnhem pelos
mesmos lagos do dia anterior.
Curiosidade:
O rio Reno, formado
pelos rios Reno anterior e Reno posterior, tem 1233km, nasce nos Alpes (Suiça) e
termina nos Países Baixos se jogando no Mar do Norte. Atravessa seis países e se
divide em oito trechos, mudando de nome em cada um desses
trechos.
Terceiro dia – Tínhamos as
seguintes escolhas de passeios:
um dia inteiro numa visita ao Palácio Het Loo, residência da Casa Real de Orange e Nassau, do século 17 até o ano de 1962, quando morreu a Rainha Guilhermina.
um dia inteiro numa visita ao Palácio Het Loo, residência da Casa Real de Orange e Nassau, do século 17 até o ano de 1962, quando morreu a Rainha Guilhermina.
O palácio passou por
reformas no século XX, tornou-se museu, conservando o mobiliário original,
louças e pinturas da Casa de Orange e Nassau. Para muitos, o ponto alto dessa
visita são os jardins.
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| Jardins do Palacio Het Loo |
A outra opção era um tour por Arnhem, visita ao Museu Airborne
sobre a Segunda Guerra Mundial e a batalha de Arnhem, quando os
aliados foram derrotados pelos alemães. A tarde uma visita a Floriade 2012,
em Venlo, exposição internacional que acontece a cada dez anos. São
flores, frutas, temperos e afins em um parque de 66 hectares. Holandeses são
imbatíveis com flores! o parque estava lindo apesar do vento frio e garoa. Havia
pavilhões com novidades em termos de arranjos e decoração de ambientes e
casamentos.
No fim da tarde o navio
partiu rumo a Antuérpia, trecho mais longo de navegação (sempre durante a
noite)- 219 km, cruzando vários trechos do Reno com os nomes locais: Waal,
Mermwede, Westershelde e Shelde. O jantar foi em um restaurante
privé, com um belo por do sol sobre o rio Shelde (custava muito
para escurecer) e muita conversa. Depois no salão principal havia uma festa
Anos 60.
Quarto dia –
amanhecemos ancorados a beira do rio Sheld em Antuérpia, segunda maior
cidade da Bélgica, ao norte do país, em Flandres. Saímos a pé com a guia rumo ao
centro velho. Mesmo com tempo feio, vento frio e algumas pancadas rápidas de
chuva andamos pelos principais pontos turísticos.
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| Praça em Antuérpia |
Só duas de nós
estenderam o passeio em Antuérpia também para a tarde. Depois de um almoço ao ar
livre na Praça Central seguimos a pé explorando a terra de Rubens – embora sua
casa estivesse fechada à visitação pública – e claro arriscamos algumas compras.
Houve também que escolhesse visitar o Diamondland e passar a tarde entre
os mais variados tipos de brilhantes, afinal Antuérpia, Tel Aviv e New York são
hoje os maiores centros de comercialização de
diamantes.
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| Diamondland em Antuérpia |
A outra parte do grupo
foi passar uma tarde em Bruxelas de onde voltaram felizes com o que viram,
achando a cidade não tão pequena, charmosa e
interessante.
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| Arco do Triunfo – Bruxelas |
A noite houve um casal
de artistas que se apresentou depois do jantar no lounge do navio, ela no
teclado e ele cantando. O repertório era de músicas bem conhecidas dos
principais musicais da Broadway de todas as
épocas.
Quinto
dia - amanheceu bem frio e nosso
passeio a pé foi para Gent, cidade medieval da Bélgica, cujo centro velho
é permeado por canais. Diferentemente de Antuérpia, onde o navio ancora na
cidade, aqui ele fica no porto e fomos de ônibus até o centro velho. Descemos na
praça St. James e andamos até a praça principal, passando pela
Prefeitura. Na praça principal estão vários marcos turísticos importantes, todos
dos séculos XI a XVII, hoje Patrimônio Mundial da Unesco. Entre eles o Museu do
Tecido, a Catedral e a Torre Belfry com quase 700 anos de idade e 100
metros de altura. É muito fácil vê-la no centro da cidade por causa de sua
altura. Continuando a andar visitamos a catedral de Gent, antiquíssima
(942), profusão de estilos, onde está a famosa pintura de Hubert e J
Van Eyck, considerada a melhor pintura de J Van Eyck: a Adoração
do Cordeiro Místico na importante Igreja de São Bavo. É também considerado
como um dos mais importantes trabalhos do começo da Renascença e uma das mais
importantes obras de arte da Bélgica. Não deixe de visitar o castelo medieval
totalmente reconstruído e aberto a visitação
pública.
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| Gent |
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| Adoração do Cordeiro Místico - Van Eyck |
Durante a caminhada
vimos uma região da cidade muito bonita: o Graslei e o Koornlei,
nomes de duas ruas ao longo das margens do antigo porto bem no meio da cidade.
Graslei equivale a ervas e vegetais e Koornlei era a rua do trigo.
Os nomes indicavam portanto quais produtos específicos eram estocados e
comercializados em cada rua da cidade. No Graslei a casa mais antiga é a
Spijker, do final do século XII e início do XIII, onde em tempos de fome
podiam estocar grãos de trigo.
A casa da guilda dos
marinheiros livres, de 1.355, talvez seja a mais bonita e foi reconstruída
depois de vendida para a guilda dos marinheiros em 1.530. A fachada gótica é
bonita. A guilda dos marinheiros era uma das corporações mais poderosas da
época, porque detinha o privilégio do transporte de navios pelo porto de
Gent. Ao lado esquerdo da casa Spijker fica a Grain Counters
House e a Angel com fachada renascentista. Este grupo de casas
reflete a riqueza e o poder das corporações medievais. Mesmo após a decadência
do comércio flamengo, eles ainda eram ricos o suficiente para substituir as
casas de madeira por bonitas mansões de pedra. O castelo do conde de Flandres é
um dos poucos remanescentes de fachada em madeira que ainda pode ser visto da
ponte do Gravensteen.
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| Guildas |
Depois do passeio por
Gent, um grupo foi para a cidade medieval de Bruges, puro charme,
magia e vida. Apesar de medieval tem 120 mil habitantes e muito movimento o ano
todo. Para quem gosta de algo mais além de renda de bilro,tapeçarias, comida
típica belga, cervejas (400 diferentes tipos) e chocolates, Bruges é o
lugar certo, um dos destinos turísticos mais populares da Bélgica. Bruges
quer dizer pontes e há várias delas pela cidade com inúmeros canais
navegáveis.
No ano de 2.000
Bruges foi declarada Patrimônio da Humanidade pela
UNESCO.
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| Bruges |
Tour pela Grotke
Markt ou Grand Place, majestosa na arquitetura de seus edifícios,
como o campanário Belfort onde ficava a carta constitucional da cidade,
hoje símbolo de lembrança do glorioso passado da cidade como centro mercantil.
Entre as catedrais e igrejas locais também muito bonitas, vale uma visita a
igreja de Nossa Senhora para ver a “Madona com o Menino” assinada por
Michelangelo. Outra praça que vale a visita é a Burg onde está o
Stadhuis, ou seja a prefeitura e a Basílica do Holy Blood, onde
uma gota do sangue de Cristo estaria guardada num frasco de cristal trazido da
Terra Santa em 1.149.
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| Praça Bruges |
Debaixo de uma chuva
pesada o grupo correu para um ônibus que levou todas de volta ao nosso navio
Amaverde.
Depois do jantar,
enquanto o chef Werner oferecia um delicioso buffet de
especialidades belgas no lounge principal, o navio deixou a Bélgica e
partiu rumo a Willemstad na Holanda.
Sexto dia – amanhecemos ancorados em Willemstad, na Holanda,
uma vila pequena, charmosa e acolhedora, que mais parece um cartão postal. É tão
pequena, que do porto onde o navio estava, até o centro andamos só umas duas
quadras. Assistimos a um recital de órgão na igreja local. Depois caminhamos
pelas poucas ruas para admirar as vitrines e o interior das casas. Os holandeses
tem um hábito muito antigo de deixar as cortinas abertas. Há quem traduza esse
hábito como uma atitude de quem não tem nada a esconder. Outra corrente defende
a idéia que seria mais para mostrar poder, uma posição um pouco arrogante de
pessoas bem sucedidas materialmente. A próxima parada foi Kinderdjik,
tipicamente holandesa com seus moinhos de vento (atualmente local de maior
concentração de moinhos do país).
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| Moinhos de Kinderdjik |
Sétimo dia – foi o grande dia!! O navio amanheceu ancorado em
Utrecht de onde saímos para a visita ao Keukenhof Park e as
milhares de flores em uma extravagante explosão de canteiros e cores. É o maior
parque de exposição de bulbos no mundo!
Os jardins de
Keukenhof ocupam uma área (fechada e aberta) total de 70 acres, onde
florescem a cada exposição cerca de sete milhões de bulbos!! Nessa época
calculam receber 14 mil visitantes por dia!!
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| Tulipas no Parque Keukenhof |
Para terminar uma frase
de Erasmo de Roterdam, teólogo e humanista
neerlandês:
Aquele que conhece a
arte de viver consigo próprio ignora o
aborrecimento.
Boa Viagem!
*Porto de Volendam - foto tirada em meu celular, que eu dedico a meu sogro Otto Schreuders, Capitão da Marinha Belga, que tanto amou o mar!
Virginia Figliolini Schreuders - texto e edição
Yeda Saigh - revisão de texto
Bia Lion Leite - fotos
Idely Lelot - fotos


























